A alegação de que não é possível pagar um funcionário dentro das rigorosas normas da CLT revela um problema de gestão e de modelo de negócio, e não uma falha na legislação. Se uma empresa não consegue arcar com o custo de um trabalhador formalizado, o equívoco está em sua planilha: ou cobra um preço muito baixo pelo seu serviço, ou atua em um segmento economicamente inviável. A solução, portanto, não é flexibilizar direitos à custa da dignidade do trabalhador, mas sim repensar a estratégia, ajustar os preços ou, em último caso, migrar para um ramo de atuação sustentável.
O discurso da "flexibilização" como salvação muitas vezes esconde uma nostalgia perversa por relações de trabalho arcaicas e exploratórias. O que não se pode, em hipótese alguma, é almejar a volta de um modelo análogo à escravidão, disfarçado sob o argumento da competitividade. Adapte-se o negócio, não se retroceda em direitos conquistados com décadas de luta.